Na tarde de 7 de junho de 1997, ele tinha o coração do brasileiro em sua raquete. Aquele garoto alto, magricelo e extremamente carismático estava a um passo de escrever seu nome nas páginas de um esporte tido como nobre, o tênis.
Para contar a história de Gustavo Kuerten é preciso recorrer ao passado. Nascido em 1977, Guga, como é carinhosamente chamado, perdeu o pai, Aldo, logo aos nove anos. Além da morte do pai, teve que dar suporte ao irmão, Guilherme, portador de deficiênca mental e física. Diante de todas as dificuldades, Guga poderia ter escolhido outro caminho: o do crime, como fazem muitos outros jovens em nosso país. Mas Guga tinha um sonho, tinha um objetivo: queria brilhar no mundo do tênis profissional. Entretanto, o caminho até lá não foi fácil, até porque ele nascera em um país do terceiro mundo e com pouca (para não dizer nenhuma) tradição no tênis. Na época do surgimento do catarinense, o tênis brasileiro estava estagnado e não atraía patrocinadores. Persistente, Guga deu uma raquetada nas dificuldades e continuou em busca de seu objetivo. Gustavo Kuerten foi uma luz que nasceu sobre a égide do tênis verde e amarelo.
Naquela tarde de 7 de junho de 1997, tinha início a vitoriosa história do catarinense. Nesse dia, ele superou o espanhol Sergi Bruguera e conquistou o título de Roland Garros, um dos mais tradicionais do tênis.
Na cerimônia de premiação, seus olhos brilhavam e ele, emocionado, fazia um discurso em homenagem à família que sempre lhe deu todo o apoio.
No ano seguinte, já era admirado e conhecido pelo seu carisma, pela sua vasta cabeleira e, é claro, por suas roupas coloridas.
Nos anos subseqüentes, foram inúmeros títulos, muitas premiações, belas mulheres e muito (muito, mesmo!) dinheiro.
Em 2000, Guga se consolidou na elite do tênis mundial, conquistando novamente o título de Roland Garros. No fim do ano, na Masters Cup - torneio que reúne os oito melhores tenistas do mundo -, o "surfista dourado" conseguiu o inimaginável: levou o Brasil ao topo do tênis, foi simplesmente o número um do mundo.
Considerado também o melhor jogador do mundo sobre o saibro na época, Guga levou o caneco do torneio francês para casa mais uma vez. Adorado por todos, ele não fez com que a fama subisse à cabeça. Pelo contrário, já que continuava, mesmo milionário e famoso, atendendo a todos com a mesma simpatia.
No final de 2001, Guga já se queixava de dores na região do quadril, o que o levou a passar por uma cirurgia. Ele, entretanto, nunca mais foi o mesmo. O seu físico o impossibilitou de prosseguir seu caminho de vitórias e conquistas. Kuerten ainda não oficializou sua aposentadoria, mas fica a impressão de que o fim de sua brilhante carreira está próximo.
Teremos sempre em nossas memórias aquele brasileiro que, ao ganhar Roland Garros pela terceira vez, desenhou um coração no meio da quadra Philippe Chatrier e se deitou sobre ele, em um ato de reverência ao público que tanto lhe apoiou. Pensaremos sempre naquele garoto que carregou a bandeira do Brasil na cerimônia de premiação da Masters Cup. Por fim, Guga é daqueles que vêm de tempos em tempos. Vai deixar saudade.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
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2 comentários:
que demaaais, *-* esse menino tem futuro na escrita, cara. vai ser jornalista. AEAEAE!
/madrinha do blog - luiiiza :)
Agradeço as palavras de incentivo, Lulu!
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