terça-feira, 25 de março de 2008

De olho na vaga na Libertadores, santistas prometem festa na Vila

Na década de 1990, a Vila Belmiro ficou conhecida como um dos estádios mais intimidadores do Brasil. O campo acanhado e a proximidade do público assustavam árbitros e os jogadores adversários. “A própria arquitetura do estádio favorece a pressão. Além disso, na entrada e na saída, o árbitro tem de passar no meio da torcida do Santos. Se ficar só nos xingamentos, é lucro”, diz Renato Marsiglia, comentarista de arbitragem da Rede Globo. Na época, a torcida do Santos atirava objetos como chinelos e moedas no gramado.

Para incendiar a Vila Belmiro novamente, os santistas vêm com novas armas. A idéia é fazer uma grande festa no próximo jogo pela Libertadores, contra o San José, no dia 1º de abril. “É uma festa da torcida do Santos para o Santos”, afirma André Vítor, um dos mentores da idéia. Para isso, os torcedores, que não têm vínculo algum com as torcidas organizadas, inovaram e resolveram arrecadar os fundos para a compra de bexigas e faixas. “Teremos ainda uma grande surpresa no dia do jogo. Por enquanto, só posso dizer que quem for ao jogo vai presenciar uma festa linda”, garante Bruno Mamede, um dos contribuintes. A arrecadação aconteceu por meio de um site de relacionamentos, onde o torcedor Fernando Prado disponibilizou o número de uma conta para que os depósitos fossem feitos. A aceitação foi muito boa: em dez dias, o grupo já arrecadou cerca de R$ 1100.

De acordo com Rachid, outro idealizador da campanha, a iniciativa é totalmente transparente. “O valor arrecadado é constantemente atualizado e as compras dos objetos são feitas com nota fiscal, após uma comparação de preços. No fim, o extrato da conta pode ser visto por todos”, diz.

Os interessados em participar da festa podem encontrar mais detalhes na comunidade oficial do Santos no Orkut. Fernando Prado é quem deixa o recado para a torcida do Santos: “A iniciativa não possui nenhum tom político e qualquer torcedor pode ajudar. São os torcedores comuns que vão comandar a festa. Esperamos que o jogo seja um verdadeiro marco e que façamos da Vila Belmiro um verdadeiro alçapão”.

terça-feira, 11 de março de 2008

A instabilidade do elenco santista

Emerson Leão está longe de ser uma unanimidade no Santos. A principal torcida organizada do clube e alguns conselheiros defendem fervorosamente a saída do treinador. Suas declarações polêmicas, seu jeito centralizador e o fato de ser classificado por muitos como um técnico ultrapassado incomodam bastante. Entretanto, o que mais tem irritado a torcida santista é a falta de padrão da equipe. Leão começou o ano escalando três atacantes. De uns tempos para cá, vem tentando deixar o time mais compacto. O resultado disso é a oscilação apresentada pelo Peixe.

Aturdido com a situação, este blogueiro levantou todas as escalações do Santos ao longo do ano. Veja:

Portuguesa x Santos
Na primeira partida do ano, Leão optou por escalar Renatinho e Wesley como parceiros de Kléber Pereira no ataque. Não deu certo. A equipe foi muito mal e a Portuguesa venceu por 2 a 0.

O lateral-direito Filipi fez sua estréia. E teve uma boa atuação, diga-se de passagem. Betão, Evaldo e Marcinho Guerreiro também estrearam, mas sem a mesma eficácia do jovem lateral.

Kléber, o principal jogador do Santos, saiu machucado. Em seu lugar, entrou Carlinhos, que é muito contestado pela torcida.

Santos x Palmeiras
Se a estréia diante da Portuguesa deixou a torcida santista assustada, o jogo contra o Palmeiras serviu como um alento. O time não criou muitas oportunidades e não teve poder ofensivo, mas a marcação foi perfeita.

Sabendo que teria dificuldades contra uma equipe muito mais forte, Leão optou por reforçar o sistema defensivo. Depois de atuação pífia no primeiro jogo, Wesley foi sacado da equipe. Adaílton, com o contrato renovado, foi escalado na zaga. No meio-de-campo, Adriano anulou Valdívia e Marcinho Guerreiro fez partida brilhante. Quem destoou foi o zagueiro Evaldo. Abalado com os apupos vindos das arquibancadas da Vila Belmiro, jogou com muita insegurança, cometeu uma série de erros e acabou sendo substituído.

Juventus x Santos
Para a torcida santista, aquela noite no Bruno José Daniel foi o estopim. A derrota por 3 a 1 trouxe ainda mais cobrança para o time. Revoltados, os torcedores atiravam para todos os lados. Ordenavam que jogadores como Betão, Carlinhos e Rodrigo Tabata deixassem a equipe.

Rodrigo Souto voltou ao time depois de ter ficado afastado das duas primeiras partidas por contusão. Com a atuação desastrosa diante do Palmeiras, Evaldo viu Domingos formar a defesa com Betão e Adaílton. Quem também não vinha agradando era Vítor Júnior, que começou no banco em Santo André.

Santos x Bragantino
Precisando muito de uma vitória para acalmar os ânimos dos torcedores, Leão promoveu algumas mudanças para a partida contra o Bragantino.

Adriano voltou ao time. Renatinho cedeu seu lugar no ataque para Tiago Luís, sensação do Santos na Copa São Paulo. Domingos, que havia sido titular contra o Juventus, voltou para a reserva. O jovem Anderson Salles ocupou sua vaga. Por fim, Kléber retornou ao time balançando as redes. Ele deixou o seu na vitória de 2 a 0 sobre o Bragantino.

Santos x Barueri
Mais uma partida desastrosa para os comandados de Emerson Leão. O Santos, que dificilmente perde em seus domínios, sofreu a terceira derrota em cinco jogos.

Insatisfeito com o que viu contra o Bragantino e sem poder contar com Kléber Pereira, o técnico continuou mexendo na equipe. No ataque, escalou os badalados Tiago Luís e Alemão. Na lateral-esquerda, quem jogou foi Thiago Carleto, outro destaque da Copinha. Assim, Kléber foi deslocado para a meia. O volante Adriano foi desviado para a lateral-direita, abrindo um lugar para Marcinho Guerreiro no meio-de-campo.

O fato de Leão ter escalado Felipe no lugar de Fábio Costa merece ser mencionado. De acordo com o treinador, o goleiro campeão brasileiro com o Santos em 2002 estava acima do peso e tinha criado problemas com membros da comissão técnica. Mas ele retomou sua vaga na partida seguinte, contra o Paulista.

A atuação de Rodrigo Tabata contra o Barueri merece uma atenção maior. Ele começou no banco, entrou no lugar de Kléber (que saiu machucado), desperdiçou um pênalti, errou muitos passes e acabou marcando um gol no final do segundo tempo. Mesmo com o gol, o meia continuou sendo hostilizado pela torcida.

Paulista x Santos
Leão manteve a formação com três zagueiros para a partida contra o Paulista, em Jundiaí. A única diferença na zaga foi que Anderson Salles deu lugar a Domingos. Depois de um jogo afastado, Filipi voltou à lateral-direita. Adriano não atuou e Marcinho Guerreiro começou jogando. Mas a principal novidade foi o meia Luiz Henrique, que tinha sido contratado junto ao mesmo Paulista de Jundiaí.

Alemão, autor do gol do Santos, fez a dupla de ataque com Tiago Luís. Ambos foram substituídos durante o jogo (Moraes e Renatinho entraram).

Santos x Marília
Os 3.263 pagantes que estiveram na Vila Belmiro viram um festival de gols perdidos e alterações estranhas.

Luiz Henrique e Tiago Luís continuaram no time titular. Denis e Kléber Pereira voltaram de suas contusões (a volta do atacante fez com que Alemão fosse para o banco de reservas). Repetindo o que vinha fazendo nos jogos anteriores, Leão continuou com o revezamento entre Adriano e Marcinho Guerreiro e escolheu o jovem nascido em São Vicente para jogar como volante. E, inexplicavelmente, Evaldo e Alex foram escalados. Pior: Alex, que é meia, foi orientado para jogar na lateral-esquerda.

Logo nos primeiros minutos, a torcida percebeu a apatia de Alex. Totalmente perdido em campo, ele não sabia em que posição jogar, afinal, era visto constantemente no meio ou na ala direita. Denis e Luiz Henrique, inseguros, pouco fizeram durante a partida. Os três acabaram sendo substituídos: Anderson Salles entrou no lugar de Alex, Denis deu lugar a Alemão e Rodrigo Tabata fez a função de Luiz Henrique.

Nesse momento, a formação do Santos era totalmente atípica: a equipe tinha 4 zagueiros (Betão, Evaldo, Adaílton e Anderson Salles) e nenhum lateral (Alex e Denis foram sacados).

No fim, Kléber Pereira conseguiu, aos solavancos, o gol que deu a vitória ao Peixe.

São Paulo x Santos
Em um jogo sem grandes invenções de Leão, o Santos conseguiu uma de suas melhores atuações no ano.

O time entrou com três zagueiros (Adaílton, Domingos e Betão), Denis e Carleto nas laterais, Adriano como primeiro volante e Tiago Luís fazendo dupla com Kléber Pereira no ataque.

Durante o jogo, Leão fez duas alterações: Marcinho Guerreiro substituiu Denis e Alemão entrou no lugar de Tiago Luís. Alemão fez ótima partida, já que deu mais velocidade ao time e colocou a bola na cabeça de Rodrigo Souto no lance do segundo gol.

Cúcuta Deportivo x Santos
Em um duelo de dois semifinalistas da Copa Libertadores do ano passado, o Santos arrancou um empate na Colômbia.

O time estava bem postado em campo. Leão resolveu inovar na partida contra os colombianos: escalou Adriano e Marcinho Guerreiro juntos, além de ter colocado Molina e Quiñonez entre os titulares. Kléber Pereira começou sozinho no ataque, mas, no segundo tempo, Leão promoveu a entrada de Wesley, que não jogava desde a segunda rodada do Campeonato Paulista. Surpreendentemente, o garoto soube aproveitar a chance que teve e tratou de incendiar a partida com duas jogadas sensacionais.

Molina e Quiñonez tiveram atuações discretas.

Rio Preto x Santos
Quando o Santos dava sinais de que estava se reabilitando, veio a ducha de água fria. A derrota para o lanterna quase fez Leão ser demitido.

O técnico, apesar das boas atuações nos dois jogos anteriores, preferiu alterar a equipe. O zagueiro Marcelo ganhou uma chance para jogar ao lado de Betão e Evaldo. O equatoriano Quiñonez não teve a mesma sorte que Molina e não esteve entre os titulares. Depois de sua boa atuação contra o Cúcuta, Wesley também recebeu nova chance.

Paulo Henrique, jogador que veio para o Santos por indicação de Giovanni, entrou no segundo tempo e deu o passe para Renatinho fazer o seu gol.

O comportamento de Tiago Luís e Alemão na Colômbia desagradou o comandante santista. Prova disso é que os dois sequer foram relacionados para a partida contra o Rio Preto. Vale ressaltar que, depois do afastamento, Alemão não tem sido mais relacionado para as partidas.
O lateral-esquerdo Kléber continuava de fora por conta de um problema raro na região do abdômen. Thiago Carleto vinha sendo o lateral-esquerdo da equipe.

Santos x Guarani
Precisando vencer, o Peixe adotou postura mais ofensiva contra o Guarani. Assim, Leão abdicou do esquema com três zagueiros e colocou apenas Betão e Adaílton em campo.

Foi a estréia do atacante argentino Mariano Trípodi na equipe. Molina e Wesley continuaram na equipe titular.

Wesley foi alvo dos apupos vindos da arquibancada em determinado momento da partida. Depois de seu gol, chorou copiosamente. Em entrevista coletiva após a partida, Leão afirmou que confia bastante no futebol de Wesley, até pelo fato de ser um atacante que ajuda na marcação.

Tiago Luís, Paulo Henrique e Quiñonez entraram durante a partida.

A má notícia foi a lesão do zagueiro Adaílton, que rompeu o ligamento cruzado anterior e ficará cerca de seis meses afastado do futebol.

Santos x Ituano
Mais uma partida em que o Santos atuou com apenas dois zagueiros (Evaldo e Betão). No entanto, Evaldo quase complica o time. Após dura entrada sobre dois jogadores do Ituano (isso mesmo, seu carrinho atingiu dois adversários), Evaldo foi expulso. Trípodi foi substituído e Domingos passou a formar a zaga com Betão.

Marcinho Guerreiro, classificado por muitos como um volante violento, começou como titular, mas cedeu seu lugar a Adriano.

O grande destaque santista foi Molina, autor de um dos quatro gols. Sua atuação primorosa fez com que seu nome ecoasse nas arquibancadas da Vila Belmiro.

Sertãozinho x Santos
Apesar de ter jogado com três atacantes (Trípodi, Wesley e Kléber Pereira), a equipe não repetiu o bom futebol que havia apresentado contra Guarani e Ituano. Apático, o time criou muito pouco.

Antes da partida contra o Sertãozinho, jogadores como Rodrigo Tabata, Vítor Júnior, Moraes e Adoniran estavam em uma lista de atletas que seriam dispensados. Tabata e Moraes, inexplicavelmente, entraram durante a partida.

Santos x Chivas
Era a partida mais importante para o Peixe no ano. E Leão continuou fazendo suas mudanças: Adriano seria o lateral-direito e Luiz Henrique atuaria na ala esquerda. Na última hora, o treinador desistiu de escalar o ex-jogador do Paulista e optou por Carleto.

Quiñonez e Tiago Luís entraram no segundo tempo, mas jogaram muito mal. O equatoriano protagonizou um lance bizarro ao pisar na bola em um contra-ataque. Trípodi também teve má atuação e foi contestado pela torcida.

Molina foi o autor do gol que deu a vitória ao Santos.

Santos x Noroeste
Foram duas novidades no Santos no jogo contra a equipe de Bauru. O chileno Sebastián Pinto e o volante Adoniran estrearam no Campeonato Paulista. Visivelmente fora de forma, Sebastián teve atuação apagada. Por outro lado, Adoniran, escalado na lateral-direita, foi muito bem.

Rodrigo Tabata e Marcelo voltaram a entrar durante a partida.

Peixe mutante

A cada rodada, o torcedor santista vê um time diferente em campo. Apesar de dizer que gostaria de contar com um elenco menos inchado, Leão insiste em promover diversas mudanças, como pode ser visto nos relatos acima.

Neste ano, 33 jogadores atuaram nas quinze partidas que o Santos fez. O São Paulo, na campanha vitoriosa no Brasileirão do ano passado, utilizou 34 jogadores. No entanto, a competição nacional tem sete meses de duração e é realizada ao mesmo tempo que a Copa Libertadores e a Sul-Americana.

Só em 2008, Leão escalou dois goleiros, seis zagueiros, sete laterais, nove meio-campistas e nove atacantes.

Ao que parece, o Santos já chutou a ameaça do rebaixamento para escanteio. A missão de Leão agora é dar padrão a um time que ainda oscila bastante. Trata-se de uma tarefa árdua. Mas o treinador já disse que não faltará dedicação para que os objetivos da equipe sejam alcançados. Parece pouco para uma equipe com os problemas que tem o Peixe.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Leão no Bola da Vez

Emerson Leão, atual técnico do Santos, esteve nos estúdios da ESPN Brasil na segunda-feira para gravar o programa Bola da Vez. Lá, ele foi sabatinado por Paulo Vinícius Coelho, Paulo Soares, Paulo Calçade, Mauro Cezar Pereira e João Palomino. Conhecido por seu temperamento difícil diante da imprensa, Leão foi atencioso e, apesar de ter discorrido sobre temas complicados, estampou um sorriso no rosto durante boa parte da entrevista.

O primeiro assunto, obviamente, foi a fase desagradável de sua equipe. “O Santos tem que começar a vencer. E como isso vai acontecer? Com muita dedicação”, afirma Leão, mostrando o caminho para reverter a situação. A receita, em um primeiro instante, parece simples. Mas não é. Segundo ele, o Santos vai ter muitas dificuldades em 2008. Motivos não faltam: a realidade financeira do clube é bem diferente em relação aos anos anteriores, o ambiente político anda conturbado e o elenco é fraco. Logo em seguida, disse, metaforicamente, que não tem nenhuma culpa pela fase ruim. Motivação também não falta a Leão: ele está disposto a tirar o Peixe dessa situação incômoda, até porque é uma das últimas chances para recuperar seu status de treinador de ponta.

Ao longo de seus 44 anos de futebol (24 como goleiro e 20 como treinador), Leão acumulou muitos trabalhos vitoriosos e alguns dissabores. Nos últimos tempos, ele vem sendo chamado para dirigir times que lutam contra o rebaixamento. Foi assim em 2005, no Japão, onde ele comandou um clube que ocupava a zona de risco no campeonato local, o Vissel Kobe. No ano seguinte, assumiu o Corinthians na última colocação do Campeonato Brasileiro e levou a equipe até a Copa Sul-Americana. Acabou saindo do clube paulista após uma série de atritos com jogadores e jornalistas e com a imagem muito desgastada. Em 2007, foi para o Atlético-MG com a missão de livrar o clube da queda. Conseguiu deixar o Galo em uma posição razoável, garantindo novamente a Sul-Americana.


Percebe-se que Leão tem convivido com o perigo, é o “prazer do risco”, como ele gosta de definir. O treinador, portanto, refuta a idéia de que esteja em decadência, assim como nega que consegue o respeito dos jogadores através da intimidação. O problema é que Leão continua recebendo o rótulo de treinador autoritário. Em pouco mais de dois meses, já teve alguns desentendimentos no Santos: discutiu com figuras importantes, como Fábio Costa e Kléber Pereira, e cortou algumas regalias dos jogadores, o que provocou o descontentamento de grande parte do elenco.

Por outro lado, Leão demonstra muita preocupação com os jovens talentos do futebol brasileiro. O tema, aliás, foi discutido exaustivamente no programa. De acordo com o treinador, os empresários atuam de forma desleal. Prometem uma série de bens materiais para a família dos jovens e passam a controlar suas carreiras. Wagner Ribeiro, empresário com quem trocou farpas neste ano, é um dos alvos prediletos de seus rugidos. Apenas um encontro foi suficiente para gerar toda essa antipatia entre os dois.

Vale lembrar que Wagner Ribeiro, que ganhou notoriedade por ser o empresário de Robinho, aproximou-se de Tiago Luís ainda neste ano. Não demorou muito para a o jornal Marca apontar o atacante santista como “o novo Messi”. Leão, vendo que a notícia havia sido plantada, decidiu interferir. Foi até o jogador e comunicou que o afastaria para que pudesse definir seu futuro. Não demorou muito para o atacante deixar bem claro que gostaria de continuar no Santos.

Mais tarde, o treinador decidiu afastar momentaneamente Tiago Luís e Alemão. “Pareciam duas crianças deslumbradas na Colômbia, era como se estivessem na Disneylândia", explicou. O afastamento serviu para que os garotos refletissem sobre aconteceu no último mês (foram promovidos ao time profissional, chegaram a fazer boas partidas e passaram a lidar com a fama). Orgulhoso por proteger os pupilos, o comandante revelou que Tiago Luís recebeu três propostas vindas da Espanha.

Preocupado com o futuro do clube, o treinador já chegou a fazer projeções para saber quanto o Santos vai desembolsar até que Neymar, garoto de 15 anos que vem arrebentando nas categorias de base, possa estrear. De acordo com suas estimativas, Neymar custará cerca de 7 milhões de reais ao Peixe até completar 18 anos.

Quando fala sobre o potencial da nova geração de jogadores do Santos (Paulo Henrique, Wesley, Tiago Luís, Alemão, Carleto, Filipi e Anderson Salles), o técnico adota postura cautelosa. “Esqueçam Robinho e Diego”, diz.

Apesar de mostrar preocupação com o clube freqüentemente, parte da mídia diz que Leão é um técnico ultrapassado. Ignora a parte tática e as inovações no futebol, como psicologia esportiva e fisiologia. Todos concordam que o treinador está em decadência. Embora não perceba, Leão deixou de ser a bola da vez.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O caos no Santos

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, foi do céu ao inferno em pouco mais de dois meses. No dia 25 de novembro de 2007, o Peixe, comandado por Vanderlei Luxemburgo, selou sua classificação para a Copa Libertadores com uma virada espetacular sobre o Paraná. Os três gols de Kléber Pereira na partida garantiram a quinta participação do clube na principal competição continental em seis anos. Como se não bastasse, Teixeira, após bater Paulo Schiff nas urnas, ganhou mais dois anos no poder. Quase dois meses depois, a situação é bem diferente.

A série de péssimos resultados no início de 2008 (são três derrotas em cinco jogos) instalou o caos na Vila Belmiro. Depois das derrotas para Portuguesa e Juventus, os muros do CT Rei Pelé transformaram-se em um espaço para as lamentações de torcedores (pichações como “Isso é humilhação” e “Vergonha” foram registradas). Lá, estavam também inscrições que pediam as saídas de Leão e Betão. Engana-se quem pensa que Marcelo Teixeira foi poupado, pelo contrário. É ele o principal alvo da fúria da torcida santista. Na partida contra o Palmeiras, ele viu muitos torcedores (que já tinham protestado na estréia do time no Paulistão) exigindo contratações; outros, mais exaltados, ofendiam o mandatário e questionavam o paradeiro do dinheiro arrecadado com as vendas de Robinho, Diego, Elano, Alex e Leonardo. Logo após o vexame diante do Barueri, mais cobrança. Além de protestarem nas arquibancadas, torcedores tentaram invadir a sala da presidência.

Para os santistas mais críticos, o quadro atual era previsível. A ida de Kléberson para o Flamengo (o jogador esteve com um pé na Vila Belmiro), a falta de contratações entre o fim do Brasileirão e o início do Campeonato Paulista e a saída de Luxemburgo (a permanência do técnico era uma das promessas de Teixeira na época das eleições) foram fortes indícios de que os cofres estavam vazios.

Alguns anos depois de receber dezenas de milhões de reais pela venda da geração campeã brasileira de 2002, o Peixe mostra que não tem mais recursos para investir em contratações, o que acaba frustrando os torcedores. Fica a pergunta: como o Santos gastou tanto dinheiro em tão pouco tempo?

Apesar da cortina de fumaça criada pelo presidente santista, acredita-se que parte do dinheiro tenha sido torrada com salários exorbitantes pagos a Luxemburgo e a alguns jogadores, contratações equivocadas e construções inúteis (o que são aqueles camarotes térreos às moscas?).

Segundo Marcelo Teixeira, a má situação financeira do clube pode ser facilmente explicada com os investimentos em estrutura. É sempre bom lembrar que o Santos melhorou bastante nesse sentido, afinal, construiu um hotel que serve como concentração para os jogadores, o Memorial das Conquistas e o CT Meninos da Vila para as categorias de base. Sem falar nas melhorias no CT Rei Pelé e na inauguração do Cepraf, um centro de recuperação de atletas. O grande problema é que a diretoria não fez a prestação de contas disso tudo. Em outras palavras: ninguém sabe quanto foi desembolsado nas obras citadas acima. Para agravar a situação, os conselheiros não usam a tribuna do conselho, em reuniões periódicas, para contestar a falta de transparência da diretoria.

Outra prova de que a diretoria errou bastante foi a folha salarial do Peixe nos últimos anos. Vanderlei Luxemburgo tinha excesso de autonomia no departamento de futebol e ainda recebia 500 mil reais por mês. Pelos dois anos na Vila, recebeu 12 milhões. O contestado Adaílton chegou recebendo 180 mil reais, mas, posteriormente, viu seu salário ser reduzido para 144 mil. E não acaba aí: a comissão técnica de Luxemburgo custava 400 mil aos cofres do clube.

A conduta de Luxemburgo, aliás, deve ser criticada. Mas isso fica para outra ocasião.

Não é exagero dizer que Marcelo Teixeira é incompetente e que ele é cercado por gente incompetente. Como não tem competência para comandar o Santos, acaba contratando treinadores centralizadores (como Luxemburgo e Leão), que acabam mandando até nas camareiras do CT Rei Pelé. E quem sai no prejuízo com tudo isso é o clube.

Hoje, podemos perceber que foi necessário dar tudo errado dentro de campo para que a torcida olhasse para a política do clube. Antes dos dissabores no Paulistão, eram poucos os torcedores que questionavam Marcelo Teixeira, embora estes o fizessem de forma fervorosa.

O Santos poderia olhar para os rivais São Paulo, Corinthians e Palmeiras. O São Paulo apostou em administração profissional e transparente e vem conseguindo ótimos resultados. Corinthians e Palmeiras viram seus presidentes (Alberto Dualib e Mustafá Contursi, respectivamente) perpetuando-se no poder e foram rebaixados. Cabe ao Santos escolher qual caminho quer trilhar. É hora de seus torcedores entrarem em ação. Antes que seja tarde.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

2007

As pessoas que já leram algum texto meu neste blog (são poucas, eu sei) já perceberam que o espaço tem um certo ar jornalístico. Neste texto, vou fazer algo diferente: falarei do meu lado pessoal. Tentarei descrever como foi 2007 para este que vos escreve.

Desde que me entendo por gente, separo a vida das pessoas (inclusive a minha) em dois aspectos: o pessoal e o “profissional” (o fato de eu ter 17 anos e, devido a isso, ainda não ter uma vida verdadeiramente profissional explica o uso das aspas). Dentro do quadro já explicado, eu fazia um balanço, tentava um equilíbrio e julgava se as pessoas alcançavam o sucesso em suas vidas. Muito raso e racional o pensamento, eu sei. Pois bem, em 2007, meus valores mudaram. E muito.

Passei a compreender a importância de determinadas pessoas, de verdadeiras amizades, de um grande amor, de coisas que muitos classificam como pequenas, como longas conversas com os amigos em bares, festas e churrascos. Enfim, tudo isso me proporcionou muita felicidade. Era uma felicidade plena, completamente diferente de tudo que já tinha me acontecido. Algo tão forte a ponto de eu agradecer por estar vivendo.

2007 foi o ano em que eu comecei a entrar na vida adulta. Quem não me conhece certamente está pensando que eu adquiri boa dose de responsabilidade, tive um desempenho escolar excelente, já comecei a me preocupar com faculdades e profissões, certo? Ledo engano. 2007 foi um ano de irresponsabilidade em demasia. As noites e madrugadas ao lado dos amigos e da bebida foram divertidíssimas. Não que beber e se divertir traga uma idéia de irresponsabilidade, mas tive que pagar um preço por tudo isso, ou seja, foram inúmeros atrasos e faltas na escola. E isso, embora alguns não entendam, conta muito para um jovem de 16, 17 anos, afinal, dá uma sensação de poder incrível, além de proporcionar um estado de espírito inigualável. Foram dezenas de histórias divertidas ao longo do ano por conta desses momentos. Confesso, entretanto, que em alguns momentos estive entre a onipotência e a vulnerabilidade.

Também foi um bom ano em relação às mulheres. Me envolvi emocionalmente com umas duas e tive experiências com os diferentes sentimentos que esse bicho de sete cabeças chamado amor proporciona. Como diria Carlos Drummond de Andrade, o amor me fez enlouquecer aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que tudo faz sentido. Ri, chorei (de alegria e de tristeza), acertei, errei, sonhei, tive ilusões e desilusões. Em outras palavras: me apaixonei. Fora isso, algumas outras não tão importantes me deixaram ainda mais experiente.

Já falei algumas vezes neste texto de desempenho escolar. Contudo, não falei do meu. Não, não tive grande êxito na escola. Ter um grande ano na vida pessoal e na vida escolar seria muito para mim, eu não mereço tanto. Eu diria que meu desempenho foi satisfatório. Cumpri a minha parte dentro do que me predispus a fazer. Passei de ano com uma facilidade que muitos não imaginavam.

2007 foi um ano especial. Nada mais justo do que agradecer todas as pessoas que fizeram o meu ano tão incrível.

Hélio (pai e provedor de todas as minhas loucuras), Vitinho, Léo, Nando, Betinho, Fernanda, Duda, Aninha, Isabella Parames, Isabella Bastos, Karina, Paulo, Topein, Rennan, Biro, Kauê, Barros, Marques, Negão, Gustavo, Rose, Zé, Moraes (obrigado por aquele gol na final do Paulistão!), Zé Roberto (nunca esquecerei suas belas jogadas e seus gols) e Josué, só tenho que manifestar minha gratidão por tudo. Muito obrigado.

2007 deixará saudades, mas 2008 está aí. Com novas descobertas e novas experiências incríveis.