A série de péssimos resultados no início de 2008 (são três derrotas em cinco jogos) instalou o caos na Vila Belmiro. Depois das derrotas para Portuguesa e Juventus, os muros do CT Rei Pelé transformaram-se em um espaço para as lamentações de torcedores (pichações como “Isso é humilhação” e “Vergonha” foram registradas). Lá, estavam também inscrições que pediam as saídas de Leão e Betão. Engana-se quem pensa que Marcelo Teixeira foi poupado, pelo contrário. É ele o principal alvo da fúria da torcida santista. Na partida contra o Palmeiras, ele viu muitos torcedores (que já tinham protestado na estréia do time no Paulistão) exigindo contratações; outros, mais exaltados, ofendiam o mandatário e questionavam o paradeiro do dinheiro arrecadado com as vendas de Robinho, Diego, Elano, Alex e Leonardo. Logo após o vexame diante do Barueri, mais cobrança. Além de protestarem nas arquibancadas, torcedores tentaram invadir a sala da presidência.
Para os santistas mais críticos, o quadro atual era previsível. A ida de Kléberson para o Flamengo (o jogador esteve com um pé na Vila Belmiro), a falta de contratações entre o fim do Brasileirão e o início do Campeonato Paulista e a saída de Luxemburgo (a permanência do técnico era uma das promessas de Teixeira na época das eleições) foram fortes indícios de que os cofres estavam vazios.
Alguns anos depois de receber dezenas de milhões de reais pela venda da geração campeã brasileira de 2002, o Peixe mostra que não tem mais recursos para investir em contratações, o que acaba frustrando os torcedores. Fica a pergunta: como o Santos gastou tanto dinheiro em tão pouco tempo?
Apesar da cortina de fumaça criada pelo presidente santista, acredita-se que parte do dinheiro tenha sido torrada com salários exorbitantes pagos a Luxemburgo e a alguns jogadores, contratações equivocadas e construções inúteis (o que são aqueles camarotes térreos às moscas?).
Segundo Marcelo Teixeira, a má situação financeira do clube pode ser facilmente explicada com os investimentos em estrutura. É sempre bom lembrar que o Santos melhorou bastante nesse sentido, afinal, construiu um hotel que serve como concentração para os jogadores, o Memorial das Conquistas e o CT Meninos da Vila para as categorias de base. Sem falar nas melhorias no CT Rei Pelé e na inauguração do Cepraf, um centro de recuperação de atletas. O grande problema é que a diretoria não fez a prestação de contas disso tudo. Em outras palavras: ninguém sabe quanto foi desembolsado nas obras citadas acima. Para agravar a situação, os conselheiros não usam a tribuna do conselho, em reuniões periódicas, para contestar a falta de transparência da diretoria.
Outra prova de que a diretoria errou bastante foi a folha salarial do Peixe nos últimos anos. Vanderlei Luxemburgo tinha excesso de autonomia no departamento de futebol e ainda recebia 500 mil reais por mês. Pelos dois anos na Vila, recebeu 12 milhões. O contestado Adaílton chegou recebendo 180 mil reais, mas, posteriormente, viu seu salário ser reduzido para 144 mil. E não acaba aí: a comissão técnica de Luxemburgo custava 400 mil aos cofres do clube.
A conduta de Luxemburgo, aliás, deve ser criticada. Mas isso fica para outra ocasião.
Não é exagero dizer que Marcelo Teixeira é incompetente e que ele é cercado por gente incompetente. Como não tem competência para comandar o Santos, acaba contratando treinadores centralizadores (como Luxemburgo e Leão), que acabam mandando até nas camareiras do CT Rei Pelé. E quem sai no prejuízo com tudo isso é o clube.
Hoje, podemos perceber que foi necessário dar tudo errado dentro de campo para que a torcida olhasse para a política do clube. Antes dos dissabores no Paulistão, eram poucos os torcedores que questionavam Marcelo Teixeira, embora estes o fizessem de forma fervorosa.
O Santos poderia olhar para os rivais São Paulo, Corinthians e Palmeiras. O São Paulo apostou em administração profissional e transparente e vem conseguindo ótimos resultados. Corinthians e Palmeiras viram seus presidentes (Alberto Dualib e Mustafá Contursi, respectivamente) perpetuando-se no poder e foram rebaixados. Cabe ao Santos escolher qual caminho quer trilhar. É hora de seus torcedores entrarem em ação. Antes que seja tarde.
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