O primeiro assunto, obviamente, foi a fase desagradável de sua equipe. “O Santos tem que começar a vencer. E como isso vai acontecer? Com muita dedicação”, afirma Leão, mostrando o caminho para reverter a situação. A receita, em um primeiro instante, parece simples. Mas não é. Segundo ele, o Santos vai ter muitas dificuldades em 2008. Motivos não faltam: a realidade financeira do clube é bem diferente em relação aos anos anteriores, o ambiente político anda conturbado e o elenco é fraco. Logo em seguida, disse, metaforicamente, que não tem nenhuma culpa pela fase ruim. Motivação também não falta a Leão: ele está disposto a tirar o Peixe dessa situação incômoda, até porque é uma das últimas chances para recuperar seu status de treinador de ponta.
Ao longo de seus 44 anos de futebol (24 como goleiro e 20 como treinador), Leão acumulou muitos trabalhos vitoriosos e alguns dissabores. Nos últimos tempos, ele vem sendo chamado para dirigir times que lutam contra o rebaixamento. Foi assim em 2005, no Japão, onde ele comandou um clube que ocupava a zona de risco no campeonato local, o Vissel Kobe. No ano seguinte, assumiu o Corinthians na última colocação do Campeonato Brasileiro e levou a equipe até a Copa Sul-Americana. Acabou saindo do clube paulista após uma série de atritos com jogadores e jornalistas e com a imagem muito desgastada. Em 2007, foi para o Atlético-MG com a missão de livrar o clube da queda. Conseguiu deixar o Galo em uma posição razoável, garantindo novamente a Sul-Americana.

Percebe-se que Leão tem convivido com o perigo, é o “prazer do risco”, como ele gosta de definir. O treinador, portanto, refuta a idéia de que esteja em decadência, assim como nega que consegue o respeito dos jogadores através da intimidação. O problema é que Leão continua recebendo o rótulo de treinador autoritário. Em pouco mais de dois meses, já teve alguns desentendimentos no Santos: discutiu com figuras importantes, como Fábio Costa e Kléber Pereira, e cortou algumas regalias dos jogadores, o que provocou o descontentamento de grande parte do elenco.
Por outro lado, Leão demonstra muita preocupação com os jovens talentos do futebol brasileiro. O tema, aliás, foi discutido exaustivamente no programa. De acordo com o treinador, os empresários atuam de forma desleal. Prometem uma série de bens materiais para a família dos jovens e passam a controlar suas carreiras. Wagner Ribeiro, empresário com quem trocou farpas neste ano, é um dos alvos prediletos de seus rugidos. Apenas um encontro foi suficiente para gerar toda essa antipatia entre os dois.
Vale lembrar que Wagner Ribeiro, que ganhou notoriedade por ser o empresário de Robinho, aproximou-se de Tiago Luís ainda neste ano. Não demorou muito para a o jornal Marca apontar o atacante santista como “o novo Messi”. Leão, vendo que a notícia havia sido plantada, decidiu interferir. Foi até o jogador e comunicou que o afastaria para que pudesse definir seu futuro. Não demorou muito para o atacante deixar bem claro que gostaria de continuar no Santos.
Mais tarde, o treinador decidiu afastar momentaneamente Tiago Luís e Alemão. “Pareciam duas crianças deslumbradas na Colômbia, era como se estivessem na Disneylândia", explicou. O afastamento serviu para que os garotos refletissem sobre aconteceu no último mês (foram promovidos ao time profissional, chegaram a fazer boas partidas e passaram a lidar com a fama). Orgulhoso por proteger os pupilos, o comandante revelou que Tiago Luís recebeu três propostas vindas da Espanha.
Preocupado com o futuro do clube, o treinador já chegou a fazer projeções para saber quanto o Santos vai desembolsar até que Neymar, garoto de 15 anos que vem arrebentando nas categorias de base, possa estrear. De acordo com suas estimativas, Neymar custará cerca de 7 milhões de reais ao Peixe até completar 18 anos.
Quando fala sobre o potencial da nova geração de jogadores do Santos (Paulo Henrique, Wesley, Tiago Luís, Alemão, Carleto, Filipi e Anderson Salles), o técnico adota postura cautelosa. “Esqueçam Robinho e Diego”, diz.
Apesar de mostrar preocupação com o clube freqüentemente, parte da mídia diz que Leão é um técnico ultrapassado. Ignora a parte tática e as inovações no futebol, como psicologia esportiva e fisiologia. Todos concordam que o treinador está em decadência. Embora não perceba, Leão deixou de ser a bola da vez.
Um comentário:
Pedrão, ótimo resumo!
Ainda quero ver a reprise na íntegra.
Qto ao Leão, acho que sim que ele está em decadência. A fama dele corre entre os jogadores e, já ao chegar em um clube, ele tem um ambiente ruim para se estabelecer.
Temperamental, gosta de fazer mudanças e, muitas vezes, coloca suas convicções à frente dos fatos. Além disso, é ultrapassado e, sim, constrói atmosferas ruins em quase todo lugar que trabalha. Costuma-se dizer que é um antibiótico, de efeito imediato, mas com prazo de validade.
Não gostaria de vê-lo novamente no meu time, embora não atribua a ele todos os problemas pelo qual atravessa o Santos.
grande abraço!
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